12 dezembro, 2012

Alanis Morissette: Amor, intimidade e música



O caminho partindo de uma jovem revoltada até chegar a uma verdadeiramente excelente mãe levou Alanis Morissette das alturas da fama para as depressões do pós-parto. Ela se abre ao nosso autor. Por: Li Robbins


Alanis Morissette chega: amável, mas atrasada.
Não por causa de um capricho de super star. Ela ficou presa numa gravação de TV, um co-produtor inevitável para quem tem um novo álbum para promover (Havoc and Bright Lights). Outro motive menos glamoroso para o atraso, como seu produtor me informou, “ela tem que amamentar o babe”.
O bebê é o filho de quase 2 anos de Morissette, Ever. Apesar de uma rodada de muitas entrevistas nessa manhã, as necessidades dele têm prioridade. Como uma praticante da "criação com apego," onde crianças decidem quando vão parar de ser amamentadas, Morissette continua amamentando.
“É difícil de me separar dele”, ela admite sentando ao meu lado no sofá no hotel Park Hyatt em Toronto, visivelmente exausta (mais tarde ela confessaria que desde que deu a luz a seu filho ela vem tomando muito café, e a cafeína se tornou sua melhor amiga).
“Pelo menos o seu filho está sempre com você,” eu digo tentando ver pelo lado positivo o momento que parece ser muito difícil para a mamãe Morissette.
“Eu o levo para todo lugar”, ela concorda. “Essa é a única maneira, eu acho, que eu poderia conseguir fazer isso”
 Morissette: Casamento, maternidade e rock 'n' roll
“Isso” é a cobertura cheia para a publicidade do novo CD e a corrente turnê norte-americana. “Isso” tem estado sob o microscópio da mídia musical desde o lançamento de Flavors of Entanglement em 2008. “Isso” também está abrindo o campo para perguntas sobre a reviravolta dela no tradicional triumvirate do rock: casamento, maternidade & rock’n’roll.
Sendo uma defensora da “criação com apego” (um artigo que ela escreveu para o Huffing Post foi divulgado mais de 1.000 no facebook) é um choro bem distante das preocupações de meados dos anos 90, revelados por um par de álbuns extraordinariamente bem sucedidos e altamente pessoais – Jagged Little Pill de 1995 e Supposed Former Infatuation Junkie de 1998.
Os textos de Morissette, sem barreira e escritos de alma nua, se relacionam poderosamente com o público. Jagged Little Pill venceu quatro Grammys, se transformando no segundo álbum mais bem vendido de uma cantora feminina. Mas Jagged Little Pill representou também uma mudança de ares enorme para Morissette, de estrela dance pop para a voz cheia de medo representando uma geração. Naquele tempo algumas pessoas encararam essa mudança como uma “recriação planejada”, segundo Paul Cantin, escritor residente em Toronto, autor da biografia de Alanis Morissette: You Oughta Know, diga- me.
“Ela teve que aguentar um monte de sarcasmo sobre as suas razões por ter mudado de estilo e comentários de que havia algo muito esperto, mais do que sincero, na sua nova música. Mas eu acho que para qualquer um que deixou seu ceticismo de lado e que manteve os ouvidos e olhos abertos, eles puderam ver que Jagged Little Pill vinha absoluta e implacavelmente do coração.
 
A Alanis Morissette da era do Jagged Little Pill foi caraterizada pela canção que deu o nome à biografia de Cantin. O texto amargo falava sobre o tema de praxe da música pop, coração partido, mas não de um jeito típico de jovens cantoras pop. (com versos como: "Is she perverted like me, would she go down on you in a theatre? Does she speak eloquently, and would she have your baby? I'm sure she'd make a really excellent mother" (“ela é pervertida como eu? Ela te chuparia no cinema? Ela fala com jeito, e ela teria um filho seu? Eu tenho certeza que ela seria uma excelente mãe”))


A voz descompromissada de Morissette
Era fresca, era chocante e as pessoas amaram. Cantin diz que hoje é facilmente esquecido quão inovadora Alanis Morissette foi naquela época. “Hoje estamos muito acostumados a cantoras femininas de alto nível falando tão descompromissadamente sobre sexo, expressando a raiva delas de uma forma tão direta ou dando voz a emoções complexas. Eu não estou dizendo nem por um momento que a Alanis foi a primeira a fazer isso, mas ela foi a primeira a fazer isso de uma forma tão apelativa para tantas pessoas.”
Aos 38 anos, Morissette preocupa-se genuinamente em ser uma mãe excelente de verdade. Ela é casada com o rapper Mario Treadway (Souleye) desde maio de 2010, e deu a luz ao filho Ever Dezembro daquele ano. “Guardia”, o primeiro single de “Havoc and bright lights” é um plano da vida de Morissette como mãe e esposa.
Ela explica por que escolheu a palavra “Guardian” com um sorriso que sugere que ela sabe bem o quão fantasiosa ela pode soar. ”Eu acho simplesmente que isso (ser uma guardiã) é o papel mais honrável para mim”, ela diz. “Seja lá sendo a guardiã dos meus cães ou das minhas plantas ou das minhas tartarugas, ou do meu coração, ou da criança interior do meu marido ou do meu filho mesmo, eu sinto que o papel de guardiã é composta daquela mistura de proteção tanto da segurança de alguém quanto de sua liberdade.” E apesar de (ou talvez por causa de) ter sofrido de depressão pós-parto depois do nascimento de Ever, Morissete sabe bem aonde seu coração pertence. “Eu amo ser uma mulher por esse instinto maternal.”
O último comentário é quase solene. Isso quer dizer, mesmo com a tendência de Morissette de usar linguagens que poderiam facilmente vir de um guia de transformarão pessoal (incluindo algumas palavras inventadas como “choiceful” (“escolhível”), solenidade não é de fato parte de seu DNA. Ela tem uma doçura e um humor à disposição, e sublinha muito do que diz com um riso.
Felizmente, “estar antenada” à seu próprio instinto maternal não diminuiu sua criatividade como compositora. De fato, isso causou o efeito contrário. Morissette lutou para sair da depressão pós-parto escrevendo canções para Havoc and Bright Lights. “Foi um mecanismo de sobrevivência” ela diz. “Não foi a primeira vez que a música me ofereceu consolo e fuga de alguns aspectos desafiadores das minhas circunstâncias.”
Morissette define a si mesma através do que ela chama de “a poderosa força do debate social e emocional.” Não é surpresa que uma parte desse debate reflete em suas músicas como foi ter se tornado mãe para quem teve que se empurrara através das “experiências hormonais pantanosas” da depressão pós-parto até um lugar onde ela estava apta a dar a si mesma “afinação e cuidado.”.
Em outras palavras – anteriormente sem papas na língua a respeito de sexo, revanche, dieta vegetariana, yoga e espiritualidade, Morissette é agora igualmente franca sobre ser mãe.
Morissette consegue ser suave e ao mesmo tempo bem sucedida?
Alguns críticos ficaram contrariados com o que eles vêem como a “Morissette mais suave”, sugerindo que ela está em perigo de descarrilar sua carreia musical. Sarah Liss, editora associada e colunista musical do jornal semanal The Grid, discorda. “Antes de tudo, indiferentemente de quão altas e gritantes as guitarras dela eram, Alanis sempre foi um ícone pop”, ela aponta. Artistas pop de Annie Lennox até Beyoncé conseguiram conciliar maternidade, ativismo com base positiva e uma carreia musical.”.
A própria Morissette não vê sua carreira como um caminho divergente. Ao mesmo tempo, quando ela olha para trás, com um arrepio nos ombros, como os “anos de desordem de estresse pós-traumática” de sua fama inicial, ela questiona a sua própria motivação. “Por que eu me senti uma aberração da natureza em meio a esse mundo patriarcal do roc'n'roll? Por que eu me senti tão obrigada a continuar?”. Fama, ela inicialmente achava, iria trazer maior conexão com as pessoas.
Isso aconteceu?
Fama e os seus efeitos sobre a cantora canadense.
 “Não muito”, ela diz, rindo sobre a memória distante daquela ingênua jovem Alanis. “No fim dos anos 90 eu via fama como meio para um fim versus um fim em e de si mesmo. Eu vi isso como uma oportunidade de servir minhas pretensões de querer oferecer conforto ou autentificação, ou inspirar pessoas a irem de B para C nas suas viagens evolutivas. Então, eu pensei, oh, ok, eu vou simplesmente usar a fama para a minha finalidade. Aí isso vai se tornar divertido.”

A faixa “Celebrity” do seu novo álbum é uma acusação ardente ao preço da fama. Para Morissette é um lembrete para mantê-la determinada. “Se eu exagerar, se eu me torno viciada no trabalho, pode ser perigoso. Mas no geral, se eu regular o meu próprio ritmo e for para muitos spas e fazer pausas suficientes, há um alinhamento doce em relação a isso agora.”
Naturalmente, podendo se proporcionar muitas “idas para spas” é um lucro do sucesso, como também são os adoráveis sapatos amarelos (Manolo Blahnik) e uma jaqueta turquesa feita sob medida (Rag & Bone) que ela está vestindo – sem mencionar os pedaços de anel dourados que brilham em seus dedos esbeltos enquanto ela fala, graciosamente, mas com ênfase, com suas mãos. Com certeza, juntamente com o fato de auxiliar a ela mesma e aos outros em suas jornadas evolutivas, outro benefício da fama são, bem, as roupas.
“Com certeza”, ela diz, com um sorriso travesso. “Há uma verba direcionada para os sapatos magníficos. Eu digo, vai, uma verba para os sapatos pretos de brilho do Sergio Rossi que eu tenho lá no meu quarto no hotel! As “fantasias” são a parte mais divertida dessa jornada. Eu vivo por essa forma de expressão. O que pode não ser muito bem sabido sobre mim é que eu realmente sou uma garota bem garota.”.
Mas Morissette tem muito pouco tempo esses dias para atividades de garotas. Como alguém que quer tudo (um com casamento, um bom relacionamento com o filho, uma carreira florescente, um auto-desenvolvimento espiritual), não tem muito tempo para curtir. “Tudo é muito concentrado”, ela afirma, “No passado eu teria tido três horas de compras ociosas com uma amiga, agora são 13 minutos – a gente entra, a gente sai a gente pega o que precisa. Ou um coquetel bem rápido ou seja lá o que for. É tirar tudo o que podemos de cada momento.
Mantendo o casamento como uma prioridade.
Mas Morissette é rápida ao apontar que ela coloca prioridade superior no seu relativamente jovem matrimônio. “Enorme compromisso, sábio tempo. Nós precisamos dos nossos dois dias de namoro na semana. Se nosso filho vai cochilar, eu e meu marido nos olhamos e dizemos, vamos sair para almoçar. Então há um monte de espontaneidade mas ao mesmo tempo um monte de estrutura e disciplina.” 

Morissette sustenta essa espontaneidade através desse incrível “vilarejo de pessoas” que podem simplesmente aparecer e cuidar do Ever. “Nós somos muito particulares com respeito a quem nós temos ao redor dele... o tipo de pessoas que compartilha com a nossa filosofia da “criação com apego”. Ele tem tias e tios em todos os lugares.”
Como para aqueles fora de seu círculo íntimo: “Os conhecidos gentis? Eu não tenho mais tempo para isso. Intimidade nas minhas interações é equivalente agora. Eu realmente me dedico e cuido das relações que são profundamente íntimas. Eu não tenho a banda larga para nada fora isso. É a realidade. Não tem espaço.”.
O relacionamento dos fãs obstinados
É uma história familiar para mulheres com múltiplas obrigações. Como Sarah Liss aponta, tendo uma celebridade como Alanis Morissette confrontando problemas que muitas mulheres enfrentam a tornam alguém a quem elas possam se sentir relacionadas. “Eu acho que os fãs obstinados que ouviram Jagged Little Pill sem parar, são tão fascinados por ela agora como eram naquela época”, ela afirma. “Independente de se eu incorporo ou me identifico com as crenças new age dela ou não, eu tenho um tremendo respeito pela coragem e franqueza dela – eu não acho que ela está distorcendo a si mesma para criar uma personalidade para ser vendida. Eu acho que ela está se estabelecendo e expressando quem ela é. Legiões de garotas que cresceram com Alanis são mães que estão passando pelos mesmos problemas que ela está passando agora.”
Hoje, Morissette vive em Nova York, longe de sua família em Ottawa. Quando nos encontramos, ela tinha estado em casa por oito dias, claramente consciente do tempo precioso (“Tempo só para a família, primos todos se reunindo. Eu tenho as fotos mais fofas, para virarem porta-retratos”, ela diz, soando nostálgica.) Isso é também um lembrete das diferenças entre Canadá e sua pátria adotiva americana. “Canadenses são muito gentis, mas também muito resolutos,” ela diz, “especialmente m Ottawa. Mulheres de Ottawa têm o nariz empinado.”
Não há dúvida que uma mulher de Ottawa famosamente tem o nariz empinado – o que pe interessante, dado que Morissette diz não ter tido muitos exemplos femininos quando jovem. “Eu realmente quero modelar o que estou tentando compartilhar com meu filho, ou com as pessoas através de redes sociais ou seja lá o que”, ela diz, “eu quero viver isso, o que também inclui dizer 'estou colocando o cinto, estou perdendo isso'. Eu acho que é irresponsabilidade e perigoso para pessoas públicas sugerir que há esse impecável tratamento perfeccionista da maternidade”
Toda parte da nossa conversa ocasionalmente se vira para o assunto da maternidade. Então só me pareceu certo perguntar sobre o seu filho. Que tipo de criança ele é? Ela o descreve como “uma mistura de muitas coisas” usando palavras como “fundamentado”, “contemplativo”, “sensível” e “sintonizado com sutilezas”. Mas no fim, ela soa como qualquer outra mãe que ama seu filho. “Ele é muito aconchegante também. Eu simplesmente adoro ele. Ele é muito precioso.”
Através de sua carreia pública e não convencional, por mais que ela possa não tenha tido exemplos femininos em sua juventude, Morissette serviu como exemplo para muitas outras mulheres. Talvez para alguns homens também.
Seu biógrafo, Paul Cantin, resume. “Eu acho que a maior lição que alguém pode tirar da história dela é que desde o primeiro momento que ela parou de das ouvidos à sabedoria convencional em como ser um artista bem sucedido e simplesmente confiou em seus instintos, foi quando ela se conectou com milhões de pessoas pelo mundo afora.”

Fonte: 

Artigos Relacionados

2 comentários :

Alanis Always disse...

*Obrigado pela Visita e Fique a Vontade para Opinar sempre!!
*Duvidas ou Sugestões, Idéias, Divulgações e Parcerias podem ser enviados para:
contato@alanisalways.com
*Não Insultar o Autor ou Leitores das postagens
*Não Pedir parceria por comentários
*Não Publicar Spam ou Similar
*Não use caixa alta (caps lock).
*Seja cordial. Não use palavrões, nem termos ofensivos.
*Não faça spam ou comentários fora do contexto do post.
*Agradecemos elogios, sugestões e críticas construtivas.
*Toda ajuda é bem vinda. Não critique apenas, ajude também

12 de dezembro de 2012 16:35
Marcos Mariano disse...

Sou muito fã do talento de Alanis, acho que ela é única e original, gostei muito de saber um pouco mais sobre essa excelente artista.

Oi, gostei bastante do seu espaço, eu vim la do Dihitti, ja estou te seguindo aqui e lá

Abraços

12 de dezembro de 2012 19:06

Postar um comentário