11 fevereiro, 2013

Entrevista: Vibrações alternativas para Alanis Morissette – Cedric LeMoyne

Cedric LeMoyne deu uma entrevista para revista Alema Bass Quarterly – bass player’s magazine de Fevereiro confira a entrevista traduzida na integra abaixo!




Cedric LeMoyne é o protótipo de um baxista alternativo: tem o baixo pendurado até os joelhos, gosta de tocar com a palheta e ele ama sons distorcidos. Ele é fundador da banda Remy Zero, que gozou de uma certa popularidade nos anos noventa nos EUA. A banda teve a faixa “Save me” na abertura da série de TV Smallville. Mas exatamente quando o sucesso comercial chegou, a banda se desfez. Quando uma banda dessas se separa, não é nada óbvio que todos seus integrantes consigam continuar ganhando dinheiro como músicos. O trabalho de um baixista de estúdio ou de turnê é bem diferente do trabalho que um baixista em uma banda fixa tem. Cedric LeMoyne aceitou esse desafio, e desde então provém artistas como Alanis Morissette, Gnarls Barkley ou Faith Hill com seus tons graves.
 “Eu gosto quando você pode dizer, baseado na linha do baixo, em que parte de uma música você está. Esse baixo melódico é exatamente o que gosto!” Enquanto muitos de seus colegas buscam inspiração no Jazz ou Jazz fusion,  Cedric LeMoyne cita baixistas como Andy Rourke, do The Smiths, Simon Gallup, do The Cure, e Krist Novoselic, do Nirvana, como suas principais influências. Mas ele não se resume só a isso. Nós conversamos com o músico, completamente consumido pelo jet lag, antes de seu show com a Alanis Morissette em Hamburg.

Bq: Cedric, o trabalho como sideman se diferencia muito do trabalho de um integrante fixo de uma banda famosa. Essa mudança foi muito difícil para você?
Cedric LeMoyne: Poi sé, o ponto de partida não foi dos mais propícios. Durante toda a minha juventude o Remy Zero foi tudo para mim. Essa banda deu um significado à minha vida. Quando decidimos então em 2003 a terminar com a banda, eu perdi tudo no que acreditara. Foi pior do que um divórcio. Eu passei por uma fase muito difícil, fiquei depressivo, bebia demais. Meu melhor amigo, Nigel Gordrige, me sugeriu que eu deixasse Los Angeles por um tempo, para esfriar a cabeça. Naquele tempo ele estava nos EUA para produzir o disco “Hail To The Thief” do Radiohead, e me ofereceu para esse período o seu apartamento em Londres. Lá eu tive a distância necessária para poder pensar em outras coisas. De tempo  em tempo eu voltava para L.A., pois eu tinha um projeto interessante com outros dois integrantes da banda Remy Zero. Nós compusemos a melodia do tema-título de “Nip/Tuck”, uma série bem sucedidad nos EUA. Nós fomos até nomeados ao Emmy. Na noite da premiação eu estive obviamente em L.A. E aí quando eu estava aqui eu toquei uma sessão com o tecladista da Alanis Morissette da época, o Zack Rae. Ele me contou que o baixista Eric Avery deixaria a banda e me perguntou se eu não queria ir à audição. A audição correu muito bem e eu recebi a vaga. A mudança não foi tão difícil, pois os caras da banda são muito legais, e a Alanis é uma pessoas de caráter muito forte e uma ótima patroa. Por causa de sua fama imensa eu pude ter experiências muito diferentes do que as que eu tive com a minha banda. Nós voamos então para Portugal, fomos recebidos por uma esquadra policial no aeroporto, ficamos hospedados em um castelo. Foram experiências completamente novas para mim. Na parte musical, eu aprendi a não me fechar para outros estilos musicais. Eu vim do Indie/Alternativo e era totalmente um esnobe musical. Mas voltando a sua pergunta, a mudança não foi tão difícil, pois o trablho é assim, tão fantástico.
Bq: Você já trocou idéia com os seus antecessores Chris Chaney ou Eric Avery?
Cedric LeMoyne: Eric Avery, que tocava antes de mim com a Alanis, ere um dos meus heróis. Ele tocou antes no Jane’s Addiction. O fato de que ele estava na banda, me influenciou a aceitar a idéia de trabalhar como sideman. Se o Eric Avery pode trabalhar com isso, então não pode ser tão ruim! Claro que eu troquei idéia com ele, mas não sobre música, e sim mais sobre como as coisas funcionam na banda. Com Chaney eu nunca conversei. Apesar de frequentarmos os mesmos círculos, nunca nos encontramos.

Bq: Você toca a linha do baixo nota por nota, como se ouve nos álbuns de Alanis Morissette, ou você tem liberdade para suas próprias interpretações?
Cedric LeMoyne: Há liberdade para interpretações próprias sim. “You Oughta Know” é um exemplo bom. Flea gravou o baixo no estúdio, ele toca muito, mas não é o meu estilo, ou seja, eu desenvolvi a minha própria linha de baixo para esta faixa. Na estrofe eu toco o padrão pedal-nota com a palheta, no pré-refrão eu troco para os dedos, e no final do refrão eu faço um strumming violento. Isso vem ainda do meu tempo no Remy Zero. Eu bato em três, quatro cordas ao mesmo tempo. Como na guitarra. Eu toco também acordes no baixo, mas não faço isso com a intenção de tocar algo harmonicamente interessante – normalmente eu só toco as notas fundamentais, quartas e oitavas- e sim para ter mais volume, mais intensidade. Outro exemplo é a primeira música que vamos tocar hoje a noite, “Woman Down”. No álbum você ouve um baixo sintético. Ao vivo eu toco um baixo fortemente destorcido – um dos sons mais agressivos do baixo. Eu gosto disso! E tem ainda as versões acústicas de algumas das músicas antigas dela. Para essas nós fizemos um novo arranjo. Eu gosto especialmente do arranjo acústico de “Hand in my Pocket.”

Bq: Como se deu o seu contato com Gnarls Barkley?
Cedric LeMoyne: Zack, o mesmo tecladista que me apresentou à Alanis, tocava com o Gnarls Barkley. Justin Meldal-Johnson era na verdade o baixista. Mas quando foi planejada uma turnê maior, o Justin não poderia participar, pois ele já havia decidido voltar ao Beck. Então eles me ligaram para substitui-lo. É sempre assim que essas coisas acontecem: você conhece alguém que toca na banda, que recomenda você, e aí há uma audição. Foi uma experiência incrível, pois havia um monte de músicos fantásticos envolvidos. Danger Mouse é um gênio. Ele tem uma visão musical, que ele quer ver realizada. Hoje se vê pouco disso!

Bq: O que você pode nos contar sobre o seu projeto O + S?
Cedric LeMoyne: Bandas eletrônicas européias como Air, Aphex Twin ou Royskopp têm uma influência grande sobre o meu trabalho. Eles têm essa certa abordagem harmônica, que os artistas eletros americanos não têm. O + S não é no entanto uma banda somente eletrônica. Em primeira linha eu quero usar lá sons orgânicos, que foram de fato tocados por pessoas. Claro que uma coisa ou outra é programada, mas o conceito básico é assim: abordagem analógicas, no quesito sound, abordagem digital, no quesito arranjo. Eu deixo um baterista tocar um groove, faço um sample dele e corto da maneira que desejo. Eu não uso um baixo sintético, e sim toco o baixo de verdade. Mas eu experimento muito com efeitos. Eu me vejo mais como um guitarrista, o que entretanto não tem mais nada a ver com a realidade, pois eu vivo há anos de tocar baixo. Mas é daí que eu venho e é daí que nasce a minha abordagem dos sons. Simplesmente brincar com os pedais até que soe bem.

Bq: Quais efeitos você usa?
Cedric LeMoyne: Nesse show eu uso dois pedais Xotic Effects. Um eu uso mais como um equalizador. Ele já produz uma leve distorção. O outro tem mais a função de um intensificador e é responsável pelo fuzz sound.Eu tenho então três sons diferentes à minha disposição: limpo, levemente distorcido e totalmente distorcido. Obviamente eu experiemento muito com delays e oitavas, mas os efeitos com maior utilidade prática são os efeitos nos diferentes estágios de distorção.

Bq: Quais baixos você toca?
Cedric LeMoyne: Meu baixo principal no estúdio é um 61 Fender Precision. Mas eu não o levo comigo quando saio em turnê. Para isso ele é muito valioso. Os baixos de 5 cordas não me atraem muito, eles não condizem com as minhas idéias estéticas. Mas eu não abro mão da corda grave de si. Por isso eu passei a usar as 4 cordas mais graves de um baixo de 5 cordas num baixo de quatro cordas. Isso dá uma afinação B-E-A-D. Eu usei por muito tempo baixos Gibson Les Paul com cordas flatwound nessa afinação. As Gibsons têm um baixo grave incrível e elas soam bem rock, mas falta a elas uma certa finesse. Por essa razão eu mudei para baixos de jazz, meu contato na Fender me recomendou os baixos Jaguar, pois se tratam a princípio de baixos de jazz com uma eletrônica mais opulento. Eric Avery, que toca agora no Garbage, também toca um desses. Nas turnês eu tenho 4 desses. Dois com afinação B-E-A-D, um com cordas polidas, outro não. Os dois outros são com a afinação normal, E-A-D-G. Deles, um é também com flatwounds e outro com Roundwounds. Para o nosso set acústico eu tenho ainda uma Fender Coronado. No momento eu não toco nenhum outro baixo. No quesito amplificador, eu uso Aguilar. Eu tenho o DB 750. Mas eu também gosto dos outros produtos da marca.

Bq: Como você se mantém em forma durante uma turnê?
Cedric LeMoyne: Eu sou budista-zen e medito todos os dias. Eu tenho aulas com uma monge em Los Angeles. Se possível, eu tento fazer uma sessão via skype com ela. Isso ajuda a aliviar o stress. Eu não bebo mais álcool e não faço nada que não seja saudável. Eu medito, leio, se eu tenho tempo e energia, trabalho no segundo álbum do O + S.

Bq: Obrigado pela entrevista, Cedric.  



Para quem quiser conhecer mais sobre o Cedric LeMoyne site dele é: http://www.cedriclemoyne.com/

Colaboração:
Rafaella Pitanga

Fonte: 



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1 comentários :

Alanis Always disse...

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11 de fevereiro de 2013 19:04

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